A atual realidade dos imóveis adquiridos na planta

Neste último dia 21, domingo, o jornal Folha de São Paulo, por colaboração de Edson Valente, noticiou que imóveis adquiridos na planta (fase compreendida entre pré-construção e construção), representou por anos um atrativo de economia média de 30% com relação ao valor final de venda.

Muito embora pudesse se exprimir do atual cenário imobiliário que o fato não mais representasse uma realidade de mercado, não se podia também afirmar com fidedignidade qual seria tal realidade. Reinaldo Fincatti, diretor da Embraesp – Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio, avaliou, no entanto, que o valor médio dos imóveis adquiridos após o lançamento da obra valiam 8,51% a menos do que o estipulado. Situação, dentre outras, que levou construtoras e incorporadoras acumularem altos estoques. Deste modo, empreendedores do segmento se viram obrigados a comercializar seus apartamentos com preços abaixo do projetado em até 40%.

O resultado é que aqueles mesmos compradores que adquiriram imóveis com descontos de até 30% na fase de construção, descobriram, quando da entrega das chaves, que o saldo devedor representava mais que o valor final, fomentando um grande volume de distrato contratual.

Segundo a agência Fitch, em 2015, o número destes distratos bateu 41% no país, considerando nove empresas do setor. Entre os desistentes estão também aqueles que tiveram o crédito de financiamento negado ou perderam o emprego.

Celso Amaral, diretor da consultoria Amaral d’Ávila Engenharia de Avaliações e sócio da empresa de análises imobiliárias Geoimovel, consigna que “Quando o comprador fez o acordo com a construtora, há dois ou três anos, a taxa de juros permitia que ele financiasse o restante da dívida depois das chaves. Ocorre que os juros subiram e esse mesmo comprador não consegue mais o crédito. Assim, os apartamentos devolvidos acabam sendo oferecidos com descontos, o que também eleva o número de distratos de quem comprou na planta”.

Com isso, o conselho é que compradores que não tiveram a esperada valorização de seu imóvel e pretendem dar azo a rescisão, seja por insatisfação ou eventual necessidade, busque negociar junto às construtoras e incorporadoras, pois se de um lado a devolução do imóvel implica em prejuízo daquele que se sujeita à perda de valores previamente pagos, por outro, representa prejuízo daquele que, após retomá-lo, terá que conceder novos descontos a fim de tê-lo novamente comercializado.

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